terça-feira, 27 de agosto de 2019

Orientações para uma boa confissão




1.    O QUE É A CONFISSÃO?

A confissão é o sacramento pelo qual Cristo dá o perdão dos pecados aos fiéis através do padre. Este é o sacramento do perdão e da misericórdia divina. Também é chamado de sacramento da Reconciliação. O sacramento da penitência foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo nos ensina o Evangelho de São João: “Depois dessas palavras, soprou sobre eles o Espírito Santo e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, eles serão perdoados; aqueles a quem vocês não perdoarem, não serão perdoados’” (Jo 20, 22-23)

2.    CINCO CONDIÇÕES PARA UMA BOA CONFISSÃO:

2.1.   Um bom e honesto exame de consciência diante de Deus
2.2.   Arrependimento sincero por ter ofendido a Deus e ao próximo
2.3.   Firme propósito diante de Deus de não mais pecar, mudar de vida, se converter
2.4.   Confissão objetiva e clara ao sacerdote
2.5.   Cumprir a penitência que o Padre indicar

3.    QUANDO E PORQUE SE CONFESSAR?

O católico deve se confessar no mínimo uma vez por ano, ao menos a fim de se preparar para a Páscoa. Mas também devemos procurar a confissão quando nossa consciência nos cobra, quando percebemos que cometemos algo que nos distanciou significativamente do amor de Deus e das pessoas que estão ao nosso lado. Toda confissão apaga completamente nossos pecados, até mesmo aqueles que tenhamos esquecido. E nos dá a graça santificante, tornando-nos naquele instante uma pessoa santa. Tranquilidade de consciência, consolo espiritual. Aumenta nossos méritos diante do criador.

4.    COMO DEVE SER A CONFISSÃO?

4.1.   Diga o tempo transcorrido desde a última confissão;
4.2.   Acuse (diga) seus pecados com clareza, primeiro os mais graves, depois os mais leves;
4.3.   Fale resumidamente, mas sem omitir o necessário;
4.4.   Devemos confessar os nossos pecados e não os dos outros
4.5.   A confissão deve ser clara: indicar a falta específica, sem desculpas e/ou justificativas
4.6.   A confissão deve ser concreta: referir o ato ou pensamento preciso, não usar frases genéricas
4.7.   A confissão deve ser concisa: evitar dar explicações ou descrições desnecessárias
4.8.   A confissão deve ser completa: sem calar nenhum pecado grave, vencendo a vergonha

5.    ATO DE CONTRIÇÃO

Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, criador e redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque vos amo e vos estimo, pesa-me, Senhor, de vos ter ofendido; e proponho firmemente, ajudado com os auxílios de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais tornar a vos ofender; espero alcançar de vossa infinita misericórdia o perdão de minhas culpas. Amém.

6.    PARA AJUDAR NO EXAME DE CONSCIÊNCIA

6.1.  Confrontar a vida com os mandamentos de Deus
6.1.1.     Amar a Deus sobre todas as coisas – Deus ocupa o 1º lugar em minha vida, em minhas decisões familiares, profissionais? Sua palavra, seu evangelho têm valor de decisão sobre a bondade ou maldade de meus atos?
6.1.2.     Não tomar seu santo nome em vão – Creio, confio em Deus e o amo acima de tudo e de todos? Qual é o lugar da oração como diálogo com Deus ao longo do meu dia? Culpo a Deus quando meus interesses são contrariados?
6.1.3.     Guardar Domingos e festas – Participo de minha comunidade, principalmente das celebrações dominicais? Frequento a Missa e recebo a Santa Comunhão?
6.1.4.     Honrar pai e mãe – Tenho mantido presença e diálogo dentro da minha família? Tenho cuidado com carinho das crianças, idosos e doentes, principalmente dos meus familiares?
6.1.5.     Não matar – respeito a vida humana desde sua concepção? Deixo-me levar pelo ódio, pela agressividade? Tenho me deixado levar pelo instinto de dominação pelos outros? Procuro me reconciliar, pedindo e dando perdão das ofensas?
6.1.6.     Não pecar contra a castidade – Tenho vivido minha sexualidade com responsabilidade e com amor? Deixo-me levar pelo erotismo e pelo instinto de posse do outro? Pratiquei masturbação? Tive relações sexuais fora do matrimônio? Utilizei e/ou divulguei material pornográfico? Contei piadas ou participei de conversas sobre sexo?
6.1.7.     Não roubar – Sou honesto e justo em meu trabalho? Apropriei-me de algo que pertence ao outro? Respeito tudo o que pertence ao bem comum do povo? Pago os impostos justos? Tenho explorado o trabalho de outras pessoas? Devolvi o que tirei indevidamente?
6.1.8.     Não levantar falso testemunho – Falo facilmente sobre erros e fraquezas dos outros? Difamei gravemente alguém causando-lhe prejuízo social? Tenho enganado ou acusado pessoas com alegações mentirosas?
6.1.9.     Não desejar a mulher do próximo – Tenho respeitado a mim mesmo e as pessoas com quem me relaciono? Vivo de maneira digna meu matrimônio, afastando-me de adultérios e infidelidades? Tenho sido sincero no diálogo familiar e na partilha do amor? Sei escutar as alegrias e as dificuldades da minha família?
6.1.10. Não cobiçar as coisas alheias – Sou grato a Deus por minha vida, por tudo que tenho e sou? Vivo reclamando, invejando os outros? Deixo-me levar pela ganância de ter sempre mais sem me importar com os outros?

6.2.  Confrontar a vida com os mandamentos da igreja

6.2.1.     Participar da missa inteira aos domingos e festas de guarda – Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra aos mistérios do Senhor, da Santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir a santificação desses dias. Devem ser guardados, além dos domingos, o dia do Natal, da Epifania do Senhor, da Ascensão, Corpus Christi, de Santa Maria Mãe de Deus (1º de janeiro), Imaculada Conceição (8 de dezembro), Assunção de Nossa Senhora, Dia de São José (19 de março), São Pedro e São Paulo e o dia de Todos os Santos.

6.2.2.     Confessar-se ao menos uma vez por ano – Assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do batismo

6.2.3.     Receber o sacramento da Eucaristia ao menos na Páscoa – O período pascal vai da Páscoa até a festa da Ascensão e garante um mínimo na recepção do corpo e sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da liturgia cristã.

6.2.4.     Jejuar e abster-se de carne conforme orienta a Igreja – No Brasil isso deve ser feito na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Diz o Catecismo que o jejum “determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração

6.2.5.     Ajudar a Igreja em suas necessidades materiais – Recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades, em nossas comunidades, geralmente, essa ajuda vem pela participação consciente e espontânea do dízimo, expressão de solicitude e caridade cristã.

6.3.  Confrontar a vida com os pecados capitais

6.3.1.     Soberba – é a autossuficiência, orgulho, aquela pessoa que acha que não precisa de ninguém, chama a atenção para si mesma.

6.3.2.     Avareza – é o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano


6.3.3.     Luxúria – é o desejo passional e egoísta por todo prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes, sexualidade extrema, lascívia e sensualidade;
6.3.4.     Ira – é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança, deixa a pessoa descontrolada;

6.3.5.     Gula – é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida e bebida;

6.3.6.     Inveja – é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bençãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posse, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue;

6.3.7.     Preguiça – é um estado de ânimo que leva a falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que leva a inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio e a vadiagem.

Fonte: Arquidiocese de Mariana, Minas Gerais


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